Francisco lê um excerto do livro “Berlioz” da Deutsche Grammophon

leitura: Francisco Silva – 12º A (2022-23)

texto: “Berlioz” , da Deutsche Grammophon

Berlioz

Sinfonia Fantástica

    A vida musical de Berlioz desenrolou-se principalmente em Paris. Na capital francesa, estudou música, estreou as suas obras e trabalhou para se sustentar como bibliotecário do Conservatório e, sobretudo, como crítico musical. Mas as suas relações com os círculos musicais parisienses foram pouco fluidas, muitas vezes repletas de tensões, invejas e querelas. O temperamento fogoso do compositor, o seu génio manifesto e uma certa propensão para a polémica não contribuíram para lhe aplanar o caminho, numa das praças musicais europeias mais reputadas pelo gosto do seu público melómano pelas mais cambiantes modas e, ao mesmo tempo e paradoxalmente, pelo forte conservantismo das suas instituições. 
   Apenas três anos depois da morte do grande Ludwig van Beethoven, o mundo musical europeu via-se violentamente abalado por um meteoro que iria abrir um novo capítulo na história da arte dos sons: a 5 de Dezembro de 1830, um jovem compositor de apenas 27 anos conseguia estrear a sua Sinfonia Fantástica, uma obra a todos os títulos revolucionária, pela sua conceção formal, pela importância que nela se concede ao argumento extramusical e, sobretudo, pela sua orquestração perfeitamente singular, diferente de qualquer outra coisa ouvida até então. As críticas, furibundas e apocalípticas, não se fizeram esperar, mas, a partir daí, ficou o registo de que nascera um talento novo, um músico diferente, uma torrente de imaginação apaixonada e romântica. O seu nome, Hector Berlioz.
   O talento exaltado e quase sempre excessivo deste criador, admirador fanático de Beethoven, iria plasmar-se basicamente na orquestra, cuja prática revolucionou de tal modo que assentou as bases do que é a orquestra moderna. A ópera e a música sinfónico-coral seriam os outros dois capítulos onde brilharia o seu génio, enquanto a música de câmara e a instrumental, totalmente desprezadas por ele - com a única exceção de algumas canções com acompanhamento de piano, a maioria das quais não tardou a instrumentar - dão conta de um Berlioz mais íntimo, se é que pode chamar-se assim. Sobretudo porque esse intimismo também pode estar presente naquelas obras em que exige uma grande orquestra, tratada nesses casos com uma subtileza extrema. O facto de o compositor nunca ter chegado a destacar-se na interpretação de nenhum instrumento (só tocava um pouco guitarra) teve certamente algo que ver com o seu nulo interesse em escrever obras instrumentais, Em contrapartida, Hector Berlioz foi um competente director de orquestra.


In: Grande Selecção Deutsche Grammophon

Hector Berlioz (1803-1869)

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