naquela manhã friorenta e molhada por chuviscos d’inverno

foto: Letícia Pereira – 11º B (2022-23)

poema: “Lisboa – 1971”, de Arménio Vieira

Lisboa - 1971
 
A Ovídio Martins e Oswaldo Osório
 
Em verdade Lisboa não estava ali para nos saudar.
 
Eis-nos enfim transidos e quase perdidos
no meio de guardas e aviões da Portela
 
Em verdade éramos o gado mais pobre
d’África trazido àquele lugar
e como folhas varridas pela vassoura do vento
nossos paramentos de presunção e de casta.
 
E quando mais tarde surpreendemos o espanto
da mulher que vendia maçãs
e queria saber d’onde… ao que vínhamos
descobrimos o logro a circular no coração do Império.
 
Porém o desencanto, que desce ao peito
e trepa a montanha,
necessita da levedura que o tempo fornece.
 
E num caminhão, por entre caixotes e resquícios da véspera,
fomos seguindo nosso destino
naquela manhã friorenta e molhada por chuviscos d’inverno.

Arménio Vieira (1941- )

biobibliografia

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Um pensamento sobre “naquela manhã friorenta e molhada por chuviscos d’inverno

  1. Ótima fotografia Letícia! Tem uma perspetiva bastante interessante. O espelho de água dá-lhe um tom engraçado. O poema também é interessante.

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